15 de abril de 2011

Leão em Vênus


não consigo parar de pensar. não consigo controlar pensamentos que me inebriam, sufocam, devoram.
eu poderia dizer qualquer bobagem, mas quando você chega, a única coisa que consigo fazer é me calar, me calar e te olhar.
me calo, me escondo, me omito e minto. Minto porque o que eu mais queria era que todos fossem dormir, nos deixando livres no sofá, no tapete, na varanda.
É inevitável, é só amanhecer pra eu tentar adivinhar se mais tarde vai chover ou fazer sol. POR QUE?

eu olho pro céu encoberto de nuvens, eu me sinto regada, intocada. sei lá quanto tempo ainda nutrirei tais sentimentos, não sei até quando vou te esperar, nem sei se tem jeito, depois que eu descobri que sou seu inferno astral. TEM?

Leão está em Vênus no meu mapa astral; o que quer dizer que é um ótimo período para iniciar um relacionamento?
você não acha?

EU NÃO.



posso te beijar, te pedir pra ficar, apertar sua mão entre meus dedos, te fazer carinho até que você adormeça. te ver dormir, te esperar acordar, sentar e conversar, rir das suas caras engraçadas, te contar miúdezas do meu passado? Posso te beijar, te pedir pra ficar? deixa eu abraçar você e te pedir: beija eu, beija eu e fica?

11 de abril de 2011

Sobre ontem a noite.

fragmentos de brisas do caderno da brisa >>> Casa da Ana C.

Penso nas marcas, penso nas marcas e vejo os sinais pelo meu corpo.
A letra é miúda, menor que a de costume, a experiência é nova - na verdade - não é. O lugar é novo, mas a sensação é a mesma. Sentar e te esperar chegar. Chegar e esperar.
não quero ser uma obrigação, não quero abrir a janela e ver a imagem de uma vida perfeita.
eu não quero chorar sozinha na cozinha.


Porque depois que eles se vão, só restam as marcas, estampadas no meu corpo, no meu rosto, estampados em mim. Talvez seja por isso mesmo que eu sempre me prendo a detalhes tão pequenos, a isqueirinhos no sofá.

Eu penso antes de escrever ,o que dificulta a escrita [...]
tudo o que eu queria, era sentar lá fora e adivinhar se hoje vai chover ou fazer sol.

A folha em branco, só dificulta ainda mais a situação. Eu tento não tornar as coisas tão pessoais, mas eu não consigo. Eu tento não me importar, mas eu não consigo. Eu tento não te olhar, não te ver, não te querer ... então eu quase paro se respirar. E é bom.

Quantas marcas mais serão precisas para me ensinar, ensinar a viver, a não ver, a não crer.
Eu tento eliminar o EU, eu tento ser imparcial, impessoal, mas eu tento, eu tendo e tendo ao fracasso.
As garrafas enfileiradas no conto da cozinha, eu não consigo dormir. Eu não consigo pensar.



Eu não consigo terminar,
e o que é pior
Eu sequer consegui começar.

o trem passa tão depressa,
a vida também.


- queria saber desenhar; queria poder me lembrar de cada detalhe. queria te emoldurar
queria esquecer, queria não falar tão alto, queria tanto: não querer.


Eu te acompanho até o ponto, eu ouço a sua respiração. Te levo para tomar um ar, te convido pra dançar, mas você nem vai me notar.

" Dias sim , dias não
eu vou sobrevivendo,
sem um arranhão."

e as linhas acabam, e a vontade. e a fome aumenta, e a falta cresce.



E o objetivo mais uma vez é alcançado
o telefone desligado, cigarro apagado, quarto escuro, manhã de segunda-feira.
adiando, adiando.

poderia dizer que tive um deja vu, mas na verdade - eu vislumbrei o futuro. E o futuro, ao menos o futuro próximo, é tão previsível.
estou adiando, estou odiando, estou juntando forçar para ir.
E esse cheiro me sufoca, essa sina me persegue provocando pensamentos melancólicos sobre mim, sobre gatos, sobre sábados de tarde na sua casa, vendo filmes, ao seu lado. - vislumbrando um futuro que jamais vai chegar -

as linhas vazias, denunciam minhas frágil instabilidade, meu redundante estado.
Bom dia.




4 de abril de 2011

NOTA

Minha irmã LINDA, apagou TODAS as minhas pastas no pc.
Tentei recuperar com uns programinhas mequetrefes, mas só alguns arquivos foram recuperados intactos.
INFELIZMENTE TODOS OS MEUS ESCRITOS FORAM PERDIDOS.

Fiquei triste, chorei, esperniei, me recuperei.
Acredito (até pra minha sanidade mental) que há um motivo deles (meus escritos) terem perdido-se.

Talvez assim seja melhor, meu horóscopo diz que hora de REVOLUÇÃO, engraçada a escolha da palavra.
RENOVAÇÃO , REVOLUÇÃO, INOVAÇÃO.

Deixando TUDO para trás.
suspiro fundo, com as possibilidades da consequencia de cada um dos meus atos.
A frase perde o sentido, no momento em que a escrevo.

SINTO, SINTO, SINTO MUITO
.
sentindo profundo.


26 de março de 2011

COLONIA DA METRÓPOLE

Ela que tira notas melhores que as minhas. Ela que não precisa mais de mim

Eu que mudo a conduta

Eu que legalizo o poder.

Ela que se equipara a mim

Eu que me igualo ao homem.

Eu que tendo a porcentagens, conto letras, evito os números

Ela que é muitas em uma

CAIO PRADO JUNIOR

Ela que é quem nem Balzac poderia prever.

Ela que controla a conduta , que educa para a luta

Ela que entrelaça interesses

Eu que sou colônia da metrópole

O marco educativo que ensina que os índios também punham a educação em pauta

Eu que me encaixo no sistema, que temo a história

A massificação da individualidade

A criação do nada.

Eu que peneiro a chuva e emolduro os pingos , eu que canto silêncios

Eu admito o não eu, o não ser, o quase existir.

NOTA

A partir de hoje, postarei diariamente alguns textos, que escrevi tempos atrás.

Muitos deles sintetizam meu estado de espirito, minhas crenças, meus medos, meus amores, desamores.

Eu olho as paredes rabiscadas com minha larga letra, meus desenhos desinformes, meu esmalte descascado, sinto cheiro de queimado.

Nem sinto mais vontade de escrever.
Sinto vontade de sentir.

Tenho vontade de como Cibele Dorsa pular da janela do meu apartamento.

Não quero voar, quero a sensação de atrito, o desconforto, o morto.

Eu , eu que sou COLONIA DA METRÓPOLE,

18 de março de 2011

compondo meu dia, decompondo minha alma.






feeling:
Ouvindo a Maglore hoje, e pensando em CASABLANCA, um de meus filmes favoritos.
Botão repeat ligado na música DESPEDIDA da Maglore .

cabeça longe, em anos passados, nas possibilidades de um futuro incerto.
São Paulo, 18 de abril de 2011, uma historiadora (pretensiosamente) volta para casa, o ônibus lotado, a vida passando pela janela, fragmentos de IMPOSSIBILIDADES, de amores perdidos em esquinas, lembranças de chão de cozinha, de sofá perto do amanhecer.

posso não saber o que quero pra VIDA, mas sei o que NÃO QUERO pro meu AGORA.

E o Caio F., O Teago Oliveira e sua turma (MAGLORE), Ilsa e Rick (CASABLANCA)
compondo meu dia, decompondo minha alma.



[...] Cansado, cansado. Quase não dormi. E não consigo tirar você da cabeça. Estou te escrevendo porque não consigo tirar você da cabeça. Hesito em dizer qualquer coisa tipo me-perdoe ou qualquer coisa assim. Mas quero te contar umas coisas. Mesmo que a gente não se veja mais. Penso em você, penso em você com força e carinho.
E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar. [...]

Te escrevo com um cigarro aceso e uma xícara de chá de boldo. A escrivaninha é muito antiga, daquelas que têm uma tampa, parece piano. Tem um pôster com Garcia Lorca na minha frente. Um retrato enorme de Virginia Woolf. E posso ver na estante assim, de repente, todo o Proust, e muito Rimbaud, e Verlaine, Faulkner, Ítalo Svevo, William Blake. Umas reproduções de Picasso. Outras de Da Vinci. Um biscuit com um pierrô tão patético. Uma pedra esotérica ainda de Stonehenge, Inglaterra, uma caixinha indiana. Todos os meus pedaços aqui.

E você não me conhece, eu não conheço você.






Te escrevo por absoluta necessidade. Não conseguiria dormir outra vez se não te escrevesse. [...]
Fiz fantasias. No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio. Até o último momento esperei que você me chamasse pelo telefone. Que você fosse ao aeroporto. Casablanca, última cena. Todas as cartas de amor são ridículas. Esse lugar confuso de que fala Caetano. E eu estava só começando a entrar num estado de amor por você. Mas não me permiti, não te permiti, não nos permiti. Pedro Paulo me dizendo no ouvido "nunca vi essas luz nos seus olhos".


Estou te querendo muito bem neste minuto. Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas.






10 de março de 2011

HOJE EU QUIS.



Esses tem sido dias dificeis.

eu choro, eu sinto falta dos outros, eu me recordo de tempos bons, eu me sinto vazia.

Hoje amanheceu de novo, hoje eu faltei de novo na faculdade, e é provável que falte no trabalho, hoje o mundo já me julgou, já me condenou, hoje eu já chorei, já li o que escrevi, já escrevi sobre o que li.
Já estudei Braudel, a o Movimento dos Annales, já lá o DOSSE, e já aprendi mais sobre BLOCH.
Hoje eu já tive vontade de me jogar da ponte, na frente do carro, de ficar sozinha e não ver ninguém.

Eu moro numa casa, onde todos seus moradores se encontram hoje, onde todos seus moradores, apesar de terem o mesmo sangue que o meu , me parecem estranhos.

Eu não sei quem são, ou talvez não saiba quem eu sou.

Hoje eu já tive a certeza, de que preciso de ajuda psiquiátrica.
Hoje eu já quis que o mundo explodisse, que todos sumissem.
Tive vontade de extrapolar todos os limites, estabelecer novas regras limites, tive vontade de falar de amor, e de não guardar rancor.

Mas a dor ainda tá aqui , e o amor também.

QUEM VAI VIR RECEBER?
QUEM VAI ME RECEBER?
QUEM VAI ME ESPERAR NO AEROPORTO?
QUEM VAI ME NEGAR UM BEIJO, ULTIMA CENA DE CASABLANCA?