24 de março de 2017

TICKLED


dois mil e dezessete, voltei a estudar, querendo loucamente um emprego e ganhar uma graninha, mas enquanto isso não acontece, vamos levando.

Resolvi fazer um arquivo aqui, de forma descontraída dos filmes e documentários que andei lendo.

O de hoje foi TICKLED, um documentário sobre um 'campeonato de COCEGAS', sim, cócegas.
Tudo começa como pauta de uma matéria bizarra de um jornalista que não fazia ideia do que encontraria pela frente.

Eles descobrem um jogo de poder e dominação, que envolve muito dinheiro e manipulação no submundo das gravações. Tem ameaça de morte, prisão, assédio e processos legais contra os jornalistas.

Vale a pena ver, dá pra ver no Netflix!

15 de julho de 2016

pra onde eu devo ir?

Pra onde eu devo ir?
Pra onde eu devo ir ou voltar?


eu voltei.
estou voltando. tentando.
eu que já não era mais eu, eu que preciso me encontrar.
eu voltei a escutar as velhas musicas, a pesquisar novos sons, eu que voltei a ver filmes, e pintar a unha.
eu voltei.

o coração tá em pedaços.
tá machucado, pesado.
mas, vai passar.
e escrever, ajuda.

ajuda a superar, a botar as ideias e sentimentos no papel, para fora.
cuspir as mágoas, chorar as lágrimas doídas, e gritar o ódio, ajuda.

eu não vou mais ficar calada.
eu não quero compaixão.
eu quero viver.

eu quero voltar para mim.
eu me quero de volta.

por mim, por meu filho, por mim.
eu mereço a paz.

e a paz de estar em paz com Deus, eu já tenho.
agora, é aquietar o coração, assentar a poeira e seguir.
os dias cheios, trens lotados, a vida não para.
a vida intensamente me chamando pra viver.

eu vou, vou cuidar de mim, voltar a escrever, estudar, me cuidar. amar.
eu voltei.

obrigada filho, eu fiz primeiro por você.
e agora é por mim. e daqui em diante, vai ser sempre primeiro por mim.
<3 p="">

17 de maio de 2016

sentença de vida.

“Madama Carlota havia acertado tudo. (...) Até para atravessar a rua ela era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro. Sentia em si uma esperança tão violenta como jamais sentira tamanho desespero. Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia por um ganho. Assim como havia sentença de morte, a cartomante lhe decretara sentença de vida. Tudo de repente era muito e muito e tão amplo que ela sentiu vontade de chorar. Mas não chorou: seus olhos faiscavam como o sol que morria.Então ao dar o passo de descida da calçada para atravessar a rua, o Destino (explosão) sussurrou veloz e guloso: é agora, é já, chegou minha vez! E enorme como um transatlântico o Mercedes amarelo pegou-a (...)” 
A HORA DA ESTRELA , LISPECTOR, CLARICE.



Uma pagina em branco.
O fone no ouvido, um disco ao fundo.
Não, eu ainda não posso ser eu, não em plenitude.

Esse tempo não é meu, eu vendi meu tempo, minha cabeça, meu braço, meus dedos, e tudo está a trabalho de quem me paga no final do mês. E paga mal.

É, faz tempo, faz tempo que eu não escrevo, faz tempo que não me arrisco, acho que a gente acaba perdendo o jeito, as palavras somem.

A hora não passa e eu continuo esperando.
Um telefonema, uma palavra amiga, um aceite de desculpas.

Sim porque, novamente eu errei.
Na verdade, não. Não errei.
Mas exagerei.
Eu sempre exagero.

Larará larará, eu preciso emudecer. Eu preciso amaducer, eu preciso esquecer.
Me perdoar, e me amar, eu preciso decidir me amar, e me encontrar.
Emudecer, amadurecer, crescer, crer, amar, chorar, pegar e pagar.
Pagar pra ver, e não temer.

Não me apagando ao passado. Ou decidir ficar.
Não temer, crer, crescer, vai ficar tudo bem.

A cartomante assim como em a hora da estrela previu, que vai ficar tudo bem.
Já posso sair da cama, ela me disse que você me ama.

Assim como em a hora da estrela, eu macabeia saio de casa, vai ficar tudo bem, você me ama, não temer, crer, crescer, vai ficar tudo bem, ela disse, a cartomante previu.

A cartomante previu, me deu sentença de vida.

Vai ficar tudo bem.


Sentença de vida. 

29 de abril de 2015

quatro anos

O Facebook lançou recentemente um aplicativo que nos mostra postagens realizadas neste dia em outros anos.
cheguei em 2011.

voltei a 2011. e 2011 foi um ano ruim. foi um ano de amor e dessabor.
eu me apaixonei perdidamente, e me perdi inteiramente nessa paixão, nesse devaneio que foi esse quase amor.
demorou pra passar.
eu chorei , lamentei, tentei fugir, mas o processo foi realmente lento e doloroso.

hoje quatro anos depois, lendo tudo que escrevi aqui no blog, e vendo as postagens no Facebook, eu lamento, lamento não ter chorado mais. lamento não ter bebido mais, sofrido mais.

tenho pra mim que quanto mais a gente sofre, mais rápido a gente cicatriza.
ah, essas cicatrizes de quatro anos atrás, são tão latentes quanto a cicatriz de quatro meses atrás , quando ganhei o João Pedro.

hoje, quatro anos depois, eu tenho planos. planos que eu não tinha. quatro anos depois, eu permaneço intacta. permaneço em pé.  viva.

quatro anos depois, e sonhos que morreram, outros nasceram.

são pouco mais que sete da noite, João Pedro dorme calmamente , e eu escrevo.
escrevo.
não sinto. apenas teclo.
esses dias, esses últimos dias que passam sem nada me envolva.
eu que vou vivendo através de outro.
eu que vivo exclusivamente pelo meu filho.
eu que não vejo, nem desejo, nem me interesso por nada além do João, me lembrei das marcas de quatro anos atrás e senti.

senti dor. senti saudades, e senti os olhos marejados.

20 de novembro de 2014

balão vermelho

dias leves.
eu acreditava que seriam leves.
mas não.

eu só consigo me concentrar nas falhas.
nas minhas, nas nossas e  no forte cheiro de xixi de cachorro na cozinha.
na louça da última semana, no fogão engordurado , nos armários empoeirados, nas roupas sujas, nos meus livros pelo chão .

desordem.
é uma desordem de ideias e sentimentos. eu não consigo achar calcinha limpa, tampouco solução.
eu tomo um banho quente, um banho quente , em um dia quente, eu nem mesmo consigo chorar.
eu só consigo sentir raiva .
raiva de mim, raiva do mundo, raiva da falta .

da falta do dinheiro, da falta de tempo, da falta.
e eu sinto, sinto falta de mim.
sinto falta de clareza, pra pensar.
sinto falta do espaço, sinto falta de sentir .

sinto que o João se mexe mais, quando eu me desligo, me irrito e perco nossa conexão.
e nos últimos dias, tem sido constante .
ele se mexe mais e mais forte, e se faz mais presente pra me lembrar que eu preciso ser forte, e não desistir.
pra me lembrar que por mais que doa, valerá a pena.
pra me lembrar afinal de que ele está lá .
está aqui.

aqui, precisando ser alimentado com luz, com amor, com sentimentos bons.
e é quando eu paro e lamento.
lamento não sentir nada de bom.
eu só sinto raiva, e falta.

falta das roupas que me caibam, do dinheiro, das pessoas, e da clareza.

dez horas por dia, cinco dias na semana, quatro semanas no mês, nove meses em um ano.
um ano sem ar.
um ano cinza. um ano de dias que deveriam ser mais felizes, mais alegres, mais leves.
um ano de trabalho.

escrevi outro dia que ser mãe é solitário.
e é. mas viver também é.
ser mãe pesa. alimentar o joão pesa.
pesa não poder dar mais amor, mais luz, mais força, mais atenção.

pesa não poder dar todo tempo do mundo pra você filho, pesa saber que o meu melhor, não tem bastado.
e pesa dizer que pesa.
pesa não saber ser mais leve. e não saber relevar. e ser tão intensa.
e toda aquela intensidade de que eu me orgulhava, agora como uma âncora me puxa.

João Pedro, você tem sido meu balão vermelho, enquanto todo o resto me puxa , me puxa como uma âncora.
mas você é o balão vermelho. mais forte que todo esse pesar.
obrigada.

                 

13 de novembro de 2014

caos e lama

o mais engraçado, é que você tem total ciencia do meu amor .
e vem utilizando disso pra fazer o que bem entende, prova disso é o que você disse ontem: que faz as coisas pq sabe que eu sou boazinha demais .
eu tenho me omitido cada dia mais , tenho relevado  engulido sapos e choros.
nao sobrou nada de mim, nem da minha autonomia .

você reclama dos meus 'não sei's , mas quando eu me permito ser , quando eu me permito dizer o que quero, o que penso o que sinto , você não sei mais se inconscientemente, me desaprova, me anula.

tô bem longe de ser a pessoa confiante que era, e olha que nem era tanto assim .
mas eu nunca antes fiquei onde não era desejada
e você claramente não me deseja mais , e voce claramente não deseja mais minha presença .

o que você busca é alguém que te afirme, alguém que nao discuta, não pense, que só esteja com você, independente do que aconteça .
e eu sempre abominei isso . abomino , mas sigo fazendo , sigo calada , sigo entalada , sigo sem nem lembrar quem eu sou, quem eu fui .

e mesmo depois de tudo, e mesmo depois de todas as noites sem dormir, mesmo depois de todas as brigas, das lágrimas, dos gritos e mágoas eu concluo sem muita certeza, é verdade, que a culpa é minha .

a culpa é minha pelo amor, a culpa é minha pelo apego, a culpa é minha em idealizar.
e os ideais que eu queria ver refletidos em você com todo amor que eu sinto me engoliu.
engoliu por inteira.

eu sou agora uma mistura de nada, com lágrimas, rancor e amor .
não dá pra puxar uma coisa só .
é tudo um emaranhado de lembranças, de drinks coloridos, camas de hospital e noites em claro .
é tudo isso que faz crescer o joão. ele é parte disso. ele é a transformação de tudo isso .
e independente do que essas palavras queiram dizer , independente de como elas cheguem até você, e independente do que façamos delas e do que elas significam , o joão foi uma criação no meio desse caos.
e isso quer dizer muito, pelo menos pra mim.
quer dizer que há beleza mesmo no nosso caos.
chafurdando a lama que tornou-se o que eu sinto hoje, veio a melhor coisa que poderia ter me acontecido.

ps: me desculpa, mas eu digo melhor sem voz. ou melhor, minha voz é mais alta quando escrita, e eu menos covarde do que de fato sou.

26 de setembro de 2014

26 semanas

26 semanas.
enfim o terceiro trimestre .

João Pedro, está bem e seu coração bate forte.
coração esse que me fez mais humana, mais flexível, mais sensível ao outro e resgatou a empatia que perdi.
perdi porque afinal o mundo nem era tão bonito e colorido como pintavam . e eu que me achava muito adulta, adulta e pronta . pronta pra rebater as críticas, afastar pessoas e me auto-afirmar .

não preciso mais me auto-afirmar.
eu sei quem sou. sei a que vim.
e o mundo como num piscar de olhos, voltou a ser colorido e tão ou mais bonito do que pintavam. isso ao mesmo tempo em que voltei a me preocupar com o outro, com o afligido, com o que sofre. com o outro.
o outro que não sou eu, o outro que não é meu . (que é fácil se preocupar com o outro que te compõe, como família, amigos e pessoas próximas) .

eu não preciso mais afastar as pessoas.
eu não me acho mais adulta e nem tão pronta pra rebater todas as críticas eu não preciso de afirmação.

a vida, o universo e tudo mais, me trouxe o joão .
e a sensação de que eu posso mudar o mundo, de que os fardos nem são tão pesados assim , que eu posso carregar, que eu posso lutar mais um pouco, que eu posso sentir mais dor, mais amor, mais empoderamento .
obrigada a vida, ao universo e tudo mais. obrigada ao Pai Celestial, obrigada a divindade .
que a vida é nada menos que divina. seja lá qual for a SUA definição de divino .

<3 p="">