6 de junho de 2011

De ONTEM para HOJE

São 10h da manhã de uma segunda-feira FRIA.
Eu ouço João Gilberto, e penso que todos deviam se calar, ante a tal.

Eu penso que se tivesse tido tempo, teria aberto menos latas de sardinha, machucado menos o joelho, tomado mais analgésicos, e menos anti-depressivos.

Eu penso que se tivesse tido tempo, planejaria a vida com mais constância, com mais humor, com mais previsibilidade, porque enfim - essa é a grande motivação para - planejar algo.

Se tivesse tido tempo, e coragem teria te dito coisas bonitas. Mas não sou capaz de algo assim, já faz muito tempo.

Se tivesse tido tempo, te mostraria minhas canções favoritas, tristes, melancólicas, cantadas pela LINDA da Maysa, te arrastaria pra Bossa, te levaria comigo enquanto cantaria baixinho um canção de amor.

Penso que se a vida tivesse me permitido, eu me permitiria mais. Até mesmo compor um poema em espanhol, até mesmo aprender uma canção em latim, um mantra em mandarim.

Se a vida tivesse me dado mais tempo, falaria a verdade, sem medo, desataria o nó preso em meu peito.

Desataria nós. noz. nós.

Se você tivesse me permitido.
Eu talvez tivesse mais coragem pra me permitir.

Pra não partir.
Coragem pra um dia me mostrar inteira pra você.


se ONTEM eu soubesse tudo que sei HOJE, teria economizado um bocado de lágrimas, comprimidos, e abraços.


letras espaços, sonhos.



Um comentário:

Ulisses Borges disse...

Sabe que eu li uma vez numa biografia da Maysa que ela costumava beber umas cachaças na madrugada e aleatóriamente escolher alguém da lista telefônica para ligar e conversar fiado? Não dá vontade de fazer isso também? Ouvir alguém que a gente nunca tenha ouvido, assim, as três da madruga, num momento insone e sem sentido? Tua manhã foi de João e a minha madrugada está sendo de Maysa.